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Aeroportos e companhias aéreas cobram ação urgente da União Europeia para reduzir filas causadas pelo EES

Entidades do setor afirmam que passageiros ainda enfrentam esperas superiores a duas horas nos controles de fronteira e apresentam plano de seis pontos para melhorar funcionamento do sistema europeu

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EES passou a fazer parte do processo de entrada no Espaço SchengenCrédito: CC BY 4.0 | European Union on Wikimedia Commons

Aeroportos e companhias aéreas europeias voltaram a pressionar a União Europeia por mudanças urgentes no Entry/Exit System (EES)

A ACI EUROPE, que representa aeroportos do continente, e a Airlines for Europe (A4E), uma das principais entidades de companhias aéreas europeias, apresentaram um plano de seis pontos para tentar solucionar problemas operacionais que continuam provocando longas filas nos controles de imigração.

Segundo as entidades, quase seis meses após a implementação completa do EES, o tempo de espera nos controles de fronteira permanece elevado em diversos aeroportos europeus.

Em situações mais extremas, passageiros chegaram a enfrentar esperas de até cinco horas nos períodos de maior movimento, enquanto filas superiores a duas horas continuam sendo registradas com frequência.

O que é o EES?

O Entry/Exit System é o novo sistema digital utilizado pela União Europeia para registrar a entrada e a saída de viajantes de países terceiros que realizam estadias de curta duração no Espaço Schengen.

O sistema substituiu gradualmente os tradicionais carimbos nos passaportes por registros eletrônicos.

Durante o processo de entrada, são coletadas informações do documento de viagem, além de dados biométricos, como imagem facial e impressões digitais.

O EES começou a ser implementado progressivamente em outubro de 2025 e entrou em funcionamento completo em todos os pontos de fronteira externos do Espaço Schengen em 10 de abril de 2026.

A Comissão Europeia considera o sistema uma ferramenta importante para aumentar a segurança das fronteiras, identificar permanências acima do período permitido e combater fraudes de identidade e documentos.

Setor aponta problemas estruturais

Apesar dos objetivos de segurança, representantes do setor aéreo afirmam que a implementação do EES continua enfrentando obstáculos operacionais.

Entre os principais problemas apontados estão limitações na automação dos controles de fronteira, dificuldades relacionadas à infraestrutura tecnológica e falta de profissionais suficientes para atender ao volume de passageiros.

O setor também vem defendendo uma utilização mais ampla de soluções de pré-registro e ferramentas digitais que permitam aos passageiros fornecer determinadas informações antes de chegar aos controles de imigração.

Para aeroportos e companhias aéreas, esses problemas precisam ser tratados de forma estrutural, e não apenas por meio de medidas emergenciais adotadas durante períodos de maior movimento.

Entidades apresentam plano de seis pontos

Diante das dificuldades, ACI EUROPE e A4E apresentaram às autoridades europeias um plano com seis medidas consideradas necessárias para melhorar o funcionamento do sistema.

Entre as prioridades estão maior automação dos processos de fronteira, melhorias nos sistemas tecnológicos utilizados pelo EES e reforço das equipes responsáveis pelo controle migratório.

As entidades também defendem maior coordenação entre Comissão Europeia, Estados-membros, aeroportos e operadores do transporte aéreo.

Segundo o setor, sem mudanças estruturais, os problemas poderão continuar afetando tanto a experiência dos passageiros quanto a operação das companhias aéreas.

Filas já provocaram atrasos e perda de voos

As dificuldades relacionadas ao EES não são recentes.

Desde as primeiras etapas de implantação do sistema, associações do setor aéreo vêm alertando sobre o aumento do tempo necessário para processar passageiros nas fronteiras.

Ainda em 2025, a ACI EUROPE relatava aumentos de até 70% no tempo de processamento em determinados aeroportos, com filas chegando a três horas nos períodos de pico.

Ao longo de 2026, aeroportos e companhias aéreas também registraram situações envolvendo atrasos, conexões comprometidas e passageiros que perderam voos em consequência das filas nos controles de imigração.

Em fevereiro, ACI EUROPE, A4E e IATA já haviam alertado que os tempos de espera poderiam chegar a quatro horas ou mais sem mudanças na operação do sistema.

O que muda para os viajantes brasileiros?

Para brasileiros que viajam à Europa, o EES passou a fazer parte do processo de entrada no Espaço Schengen.

Como cidadãos brasileiros não possuem nacionalidade da União Europeia, eles estão entre os viajantes sujeitos ao registro eletrônico para estadias de curta duração.

Na prática, isso significa que o passageiro pode precisar realizar procedimentos adicionais de identificação biométrica ao entrar ou sair do Espaço Schengen.

O impacto tende a ser mais relevante na primeira entrada realizada através do sistema, especialmente durante períodos de grande movimento nos aeroportos.

Para agentes de viagens, o novo cenário reforça a importância de orientar os clientes sobre a possibilidade de filas maiores na imigração e sobre a necessidade de considerar margens de conexão mais confortáveis em viagens que envolvam entrada no Espaço Schengen.

Agentes devem considerar impacto nas conexões

As dificuldades operacionais do EES podem ter efeitos além do próprio controle migratório.

Em itinerários com conexões, um atraso significativo na imigração pode reduzir o tempo disponível para chegar ao próximo portão de embarque.

Por isso, profissionais de viagens podem considerar o funcionamento do sistema ao montar roteiros com conexões em grandes hubs europeus, especialmente em períodos de alta temporada.

A orientação ao passageiro também ganha importância diante da digitalização crescente das fronteiras europeias.

Além do EES, a União Europeia prepara ainda o ETIAS, sistema de autorização eletrônica de viagem que fará parte da nova estrutura digital de controle das fronteiras do bloco.

A discussão sobre o desempenho do EES mostra que a transformação do controle migratório europeu já produz efeitos diretos sobre a experiência de viagem.

Para aeroportos e companhias aéreas, o desafio agora é garantir que o aumento da segurança proporcionado pelas novas tecnologias seja acompanhado de um fluxo de passageiros mais eficiente.

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