Seu cliente quer levar o cachorro ou gato na próxima viagem? Uma documentação incompleta pode impedir o embarque. Entenda os cuidados essenciais e descubra como transformar esse desafio em um atendimento mais especializado.
Viajar com animais de estimação exige muito mais planejamento do que parece. Para quem nunca passou pela experiência, basta escolher uma companhia aérea que aceite pets e comprar uma caixa de transporte. Na prática, o processo pode envolver exames veterinários, vacinas, certificados sanitários e prazos que chegam a vários meses.
Para o agente de viagens, conhecer essas exigências é uma forma de evitar problemas para o cliente e oferecer um serviço de maior valor.
Antes de emitir a passagem, faça as perguntas certas
O primeiro passo é descobrir qual animal acompanhará o passageiro. Espécie, raça, idade, peso e tamanho da caixa de transporte influenciam diretamente as condições de embarque. Algumas companhias aceitam cães e gatos pequenos na cabine, enquanto outras exigem transporte no compartimento apropriado da aeronave. Determinadas raças, especialmente as de focinho curto, também podem enfrentar restrições.
Em seguida, é preciso entender o itinerário completo: país de origem, destino, conexões e data de retorno. Cada país pode estabelecer exigências sanitárias diferentes, e as regras para voltar ao Brasil nem sempre são iguais às da viagem de ida.
A orientação mais importante é não emitir a passagem antes de verificar a viabilidade do transporte do animal e confirmar sua aceitação com a companhia aérea.
A documentação pode ser o maior obstáculo
Para viagens internacionais saindo do Brasil, cães e gatos geralmente precisam de um Certificado Veterinário Internacional (CVI), emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), conforme as exigências do destino.
Dependendo do país, também podem ser necessários microchip, vacinação antirrábica, exame de anticorpos contra a raiva e outros procedimentos veterinários.
O ponto crítico é o prazo. Um animal que ainda não possui a preparação sanitária exigida pode não conseguir viajar na data desejada, mesmo que o tutor tenha passagem e hospedagem confirmadas.
O agente deve orientar o cliente a consultar um médico-veterinário e verificar as regras no portal oficial do MAPA.
Vai viajar com pet para a Europa? Atenção ao calendário
A União Europeia é um exemplo de destino que exige planejamento antecipado.
Para cães e gatos provenientes do Brasil, as regras podem incluir identificação por microchip, vacinação contra a raiva e exame de sorologia antirrábica. Quando o exame é necessário, a coleta deve ocorrer pelo menos 30 dias após a vacinação primária, seguida de uma espera de três meses contados da coleta.
Isso significa que um tutor que começa os procedimentos muito perto da viagem pode descobrir que não existe tempo suficiente para cumprir as exigências.
O cronograma abaixo mostra um exemplo ilustrativo para um animal que ainda precisa iniciar sua preparação sanitária.

A companhia aérea também precisa confirmar o transporte
Mesmo com toda a documentação em ordem, o pet não tem embarque automaticamente garantido. As companhias aéreas estabelecem limites de peso, dimensões da caixa, quantidade de animais por voo e condições específicas para transporte na cabine ou no compartimento apropriado.
O agente deve verificar as regras de todos os trechos, especialmente quando existem conexões ou empresas aéreas diferentes. Também é importante confirmar a reserva do animal, e não apenas a passagem do tutor.
E a hospedagem? Pet friendly nem sempre significa acesso livre
Hotéis que aceitam animais podem cobrar taxas, estabelecer limites de tamanho ou restringir sua permanência em determinadas áreas. O mesmo vale para restaurantes, passeios e transportes terrestres.
Por isso, o atendimento deve considerar toda a experiência da viagem. O cliente precisa saber antecipadamente onde poderá circular com o animal e quais custos adicionais encontrará.
O retorno ao Brasil não pode ficar para depois
Outro cuidado importante é verificar as exigências sanitárias para a volta. Em determinadas condições, o certificado emitido na saída do Brasil pode permitir o retorno em até 60 dias, mas isso depende do documento, do destino e do cumprimento das regras brasileiras.
O ideal é consultar as orientações de entrada de animais no Brasil antes mesmo do embarque de ida.
Um diferencial para o agente de viagens
O agente não precisa assumir o papel do médico-veterinário ou das autoridades sanitárias. Sua responsabilidade é ajudar o cliente a organizar a viagem, identificar possíveis obstáculos e encaminhá-lo às fontes corretas.
Em um mercado no qual muitas reservas podem ser feitas diretamente pela internet, esse conhecimento agrega valor ao atendimento.
Afinal, quando o cliente pergunta se pode levar seu pet, ele não está apenas comprando uma passagem. Está confiando ao agente o planejamento da viagem de um integrante da família.
Fontes oficiais: MAPA · União Europeia · IATA · CDC dos Estados Unidos
Nota editorial: as regras variam conforme o país, o histórico sanitário do animal e a companhia aérea. Os prazos do infográfico são ilustrativos e devem ser confirmados nas fontes oficiais.





