Pular para o conteúdo
Consultando...

Lula reeleito: o que muda para o turismo brasileiro até 2030?

Com recordes na aviação e crescimento do turismo internacional, o Brasil inicia um novo ciclo político. O desafio será transformar esses avanços em oportunidades para empresas, profissionais e destinos turísticos.

Brazilian Horizons Through a Modernist Gateway
Lula reeleito: como transformar avanços do turismo em legadoCrédito: Ilustração gerada por inteligência artificial com OpenAI.

A reeleição de Lula abre um novo capítulo para o turismo brasileiro. Entre resultados históricos na movimentação aérea, expansão do turismo internacional e desafios econômicos, analisamos o que o setor pode esperar até 2030 e quais prioridades devem estar na agenda do próximo governo.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato presidencial, de 2027 a 2030, abre um período importante para o turismo brasileiro. O resultado, confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, estabelece um novo horizonte para políticas públicas, investimentos e estratégias empresariais.

Independentemente das preferências políticas, o resultado das urnas deve ser respeitado. Para o turismo, o momento exige uma análise que vá além das disputas partidárias: reconhecer os avanços alcançados, identificar os desafios e acompanhar as decisões que poderão influenciar o setor nos próximos quatro anos.

O Brasil chega a esse novo ciclo com indicadores positivos na aviação e no turismo internacional. Mas crescimento, por si só, não garante desenvolvimento.

A grande questão para o período de 2027 a 2030 será transformar o aumento da movimentação turística em mais negócios, empregos, competitividade e melhores experiências para os viajantes.

O turismo chega ao novo mandato com resultados expressivos

Os números da aviação mostram a dimensão do momento vivido pelo setor.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Brasil movimentou 99,6 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Somente em setembro, foram 10,9 milhões de passageiros, o maior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2000.

No turismo receptivo, o país também apresenta resultados relevantes. Dados divulgados pela Embratur, pelo Ministério do Turismo e pela Polícia Federal apontam mais de 7 milhões de chegadas de turistas internacionais nos primeiros nove meses de 2026.

O desempenho demonstra o potencial do Brasil para ampliar sua participação no mercado internacional e fortalecer a atividade turística em diferentes regiões.

Esses indicadores, entretanto, precisam ser interpretados corretamente. Passageiros aéreos são contabilizados por trechos de viagem, enquanto as estatísticas de turismo internacional medem chegadas de visitantes. Não se trata, portanto, de números diretamente comparáveis.

Também é importante reconhecer que os resultados são construídos por diferentes agentes: companhias aéreas, aeroportos, operadores, agentes de viagens, hotéis, investidores, trabalhadores e poder público.

Políticas governamentais podem contribuir para o crescimento, mas atribuir resultados exclusivamente a uma administração exige avaliar medidas concretas e seus efeitos.

Continuidade representa oportunidade, mas também responsabilidade

A permanência do mesmo presidente pode favorecer a continuidade de projetos de infraestrutura, promoção internacional e desenvolvimento turístico.

O turismo depende de planejamento de longo prazo. Uma nova rota aérea, a estruturação de um destino ou a qualificação de profissionais não produzem resultados de um dia para o outro.

Nesse contexto, a continuidade administrativa pode ser positiva, desde que acompanhada de avaliação e capacidade de corrigir problemas.

O Plano Nacional de Turismo 2024–2027 estabeleceu metas como alcançar 150 milhões de viagens domésticas anuais e três milhões de empregos formais no turismo até 2027.

O novo governo terá a responsabilidade de demonstrar o avanço desses compromissos e apresentar uma agenda consistente para os anos seguintes.

Continuidade não deve significar acomodação. Deve representar a oportunidade de aprimorar políticas, corrigir falhas e entregar resultados mais consistentes.

O crescimento precisa chegar às empresas e aos destinos

Um dos principais desafios do próximo mandato será fazer com que os bons indicadores nacionais se traduzam em oportunidades reais para quem trabalha com turismo.

Mais passageiros não significam, necessariamente, maior rentabilidade para as companhias aéreas. Mais visitantes não garantem, automaticamente, melhores resultados para hotéis, operadoras e agentes de viagens.

O desenvolvimento do setor depende de conectividade aérea, infraestrutura, segurança, mobilidade, qualificação profissional e condições para que as empresas possam investir.

Para os agentes de viagens, isso significa contar com produtos competitivos, oferta aérea adequada e destinos preparados para receber os clientes.

Outro fator decisivo será o ambiente econômico. Inflação, crédito, renda e câmbio influenciam diretamente a capacidade das famílias de viajar e a disposição das empresas para ampliar seus negócios.

O governo não controla isoladamente todas essas variáveis, mas suas decisões econômicas e regulatórias ajudam a determinar o grau de previsibilidade necessário para investimentos e planejamento.

Reforma tributária será um dos grandes testes

O próximo mandato também coincidirá com uma etapa importante da reforma tributária sobre o consumo.

Conforme o cronograma divulgado pela Receita Federal, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) passa a integrar o novo sistema em 2027, enquanto a transição gradual do ICMS e do ISS para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) ocorrerá entre 2029 e 2032.

Para o turismo, as mudanças exigirão atenção especial à formação de preços, aos contratos, à gestão financeira e aos sistemas operacionais.

Agências de viagens, operadoras, hotéis e demais prestadores de serviços precisarão compreender como as novas regras afetarão suas atividades.

A simplificação tributária pode representar um avanço, mas seus benefícios dependerão da implementação e das condições oferecidas às empresas para se adaptar.

O que o turismo deve cobrar até 2030?

O setor turístico precisa aproveitar o início do novo mandato para estabelecer prioridades claras.

Ampliar a conectividade aérea, melhorar a infraestrutura dos destinos, fortalecer a promoção internacional e apoiar a competitividade das empresas são objetivos que devem permanecer no centro da agenda.

Também será necessário acompanhar a qualidade dos empregos gerados, os impactos ambientais da atividade e a capacidade dos destinos de receber visitantes sem comprometer a qualidade de vida das comunidades.

Para o mercado de viagens, o mais importante não será apenas quantos turistas o Brasil recebe, mas quanto valor essa movimentação gera, como ele é distribuído e quais condições existem para sustentar o crescimento.

Esses são desafios que exigem cooperação entre governo federal, estados, municípios e iniciativa privada. Nenhuma administração conseguirá enfrentá-los sozinha.

O compromisso do NOVUM: reconhecer avanços e cobrar resultados

O NOVUM acompanhará o novo mandato com independência editorial, compromisso com os fatos e atenção às necessidades dos profissionais do turismo.

Reconhecer resultados positivos não significa apoiar um governo. Da mesma forma, apontar problemas e cobrar soluções não representa oposição partidária.

Nosso compromisso é com a informação, com a transparência e com o desenvolvimento do setor.

O Brasil chega a 2027 com conquistas importantes, mas também com desafios estruturais que não desaparecerão com o resultado das eleições.

Reconhecer os avanços não significa ignorar os problemas. E apontar os problemas não exige desconsiderar as conquistas.

É com essa perspectiva que a NOVUM acompanhará os próximos quatro anos: valorizando resultados, cobrando soluções e mantendo o turismo — e não as disputas partidárias — no centro de sua cobertura.

Turismo InternacionalAeroportosRio de Janeiro (cidade)BrasilEmbraturMinistério do Turismo

Leia também